Temos uma tendência, ao nos depararmos com ''dificuldades'' (Ler tópico abaixo - 'Da Morte'), a pedirmos ajuda para a pessoa mais próxima que julguemos ser experiente o suficiente para solucioná-lo. Ainda que inconscientemente, sempre imaginamos que uma pessoa mais velha provavelmente já passou por uma situação como a que passamos no dado momento.
Isso pode-se explicar pelo fato de que os mais velhos sempre exaltam sua idade cronológica como sinal de experiência e sabedoria de vida.
Uma pessoa mais velha, ainda que saiba de dada dificuldade da vida de uma pessoa mais jovem, sempre subestimará a relevância deste problema, mesmo que a diferença entre idades seja de 2 ou 3 anos apenas. Sempre proporá uma saída que julga ser infalível.
Pensamos: quem está de fora sempre tem uma visão mais abrangente do problema... Será isso um fato?! Não. Não é tão simples...
Para que se solucione determinado contratempo que possa surgir, é preciso primeiramente conhecê-lo. Ninguém melhor, portanto, do que quem está sendo afetado diretamente, ou seja, o sujeito (enquanto ser pensante, não do jargão policial).
A verdade é que, desde que nascemos, somos induzidos a livrar-nos de todas as nossas responsabilidades, delegado-as a outras pessoas: para o bem, deus; para o mal, o diabo.
Quando procuramos alguém mais velho (e é sempre alguém mais velho ou que julgamos ser mais experiente) para ajudar-nos a solucionar determinada situação, já temos exatamente em mente aquilo a ação solucionadora que vamos tomar. Precisamos, simplesmente, que outra pessoa, melhor que nós mesmos, outorgue tal decisão, pois, desta forma, nos livraríamos de qualquer responsabilidade ou culpa.
Tanto é a verdade que, quando a pessoa eleita propõe uma solução similar com a que imaginamos, prontamente aceitamos e agimos.
A verdade é que ninguém passa pelas mesmas experiências que outro ser possa ter passado. Se nossa consciência simbólica vem do acúmulo das experiências exclusivamente humanas propiciadas pelo ambiente social, e ninguém passa por exatamente todas as experiências de outro ser, logo, ninguém é igual à ninguém.
Somos as pessoas melhores classificadas para resolvermos nossos próprios impasses.
P.S.:Mensagens positivistas, de paz, amor ou qualquer outro simbolismo dispensável confortam-nos no primeiro instante. Entretanto, com o menor esforço racional exigido, damo-nos conta de que, na verdade, enganamo-nos por querer.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
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