Moscas varejeiras
Aves carniceiras
Gente maldita
Gente morta
Pela porta
Entrem...
Venham provar
Da angústia do estar
Não viver,
Vegetar...
Tentar encontrar
Outro motivo
Para não se matar
Morte.
Ponte.
Ponto.
(Nilson Nogueira)
terça-feira, 12 de agosto de 2008
CONVITE
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Das soluçoes
Isso pode-se explicar pelo fato de que os mais velhos sempre exaltam sua idade cronológica como sinal de experiência e sabedoria de vida.
Uma pessoa mais velha, ainda que saiba de dada dificuldade da vida de uma pessoa mais jovem, sempre subestimará a relevância deste problema, mesmo que a diferença entre idades seja de 2 ou 3 anos apenas. Sempre proporá uma saída que julga ser infalível.
Pensamos: quem está de fora sempre tem uma visão mais abrangente do problema... Será isso um fato?! Não. Não é tão simples...
Para que se solucione determinado contratempo que possa surgir, é preciso primeiramente conhecê-lo. Ninguém melhor, portanto, do que quem está sendo afetado diretamente, ou seja, o sujeito (enquanto ser pensante, não do jargão policial).
A verdade é que, desde que nascemos, somos induzidos a livrar-nos de todas as nossas responsabilidades, delegado-as a outras pessoas: para o bem, deus; para o mal, o diabo.
Quando procuramos alguém mais velho (e é sempre alguém mais velho ou que julgamos ser mais experiente) para ajudar-nos a solucionar determinada situação, já temos exatamente em mente aquilo a ação solucionadora que vamos tomar. Precisamos, simplesmente, que outra pessoa, melhor que nós mesmos, outorgue tal decisão, pois, desta forma, nos livraríamos de qualquer responsabilidade ou culpa.
Tanto é a verdade que, quando a pessoa eleita propõe uma solução similar com a que imaginamos, prontamente aceitamos e agimos.
A verdade é que ninguém passa pelas mesmas experiências que outro ser possa ter passado. Se nossa consciência simbólica vem do acúmulo das experiências exclusivamente humanas propiciadas pelo ambiente social, e ninguém passa por exatamente todas as experiências de outro ser, logo, ninguém é igual à ninguém.
Somos as pessoas melhores classificadas para resolvermos nossos próprios impasses.
P.S.:Mensagens positivistas, de paz, amor ou qualquer outro simbolismo dispensável confortam-nos no primeiro instante. Entretanto, com o menor esforço racional exigido, damo-nos conta de que, na verdade, enganamo-nos por querer.
Da Morte
Por que algo pode te deixar feliz e outras coisas não? Não existe boa ou má experiência. As coisas são para você o valor simbólico que agrega a elas. Certo ou errado, bom ou mal, feliz ou triste, tudo é o que é, somente. Se perde algo ou alguém morre, qual a diferença?... Se alguém morre, não mais vive, e isso basta para compreendermos a situação... Por que chorar? Besteira! Simbolismo! Falsidade!...
Experiências são, em essência, somente experiências... Compreenda isso e viva, somente...
(IN)FELIZ(CIDADE)
Hoje, logo pela manhã, assim que acordei, abri a janela para que a luz do sol pudesse entrar e, quem sabe, aquecer um pouco minha pequena atmosfera-refúgio, meu mundinho seguro. Ao afastar as cortinas amarelas e empoeiradas, vi passar alguém que a muito não avistava. Abri rapidamente a janela e gritei:
- EI, FELICIDADE, ESPERE!!!
Então virou-se para trás e, girando a cabeça da esquerda para a direita, fingiu não reconhecer-me. Prosseguiu a passos lentos.
Apressei-me para alcançá-la. Saí de meu quarto, deslizei pelo corrimão, atravessei a sala, saí na rua e, ao olhar para a direção que havia tomado a Felicidade, nada avistei, a não ser, é claro, a ignorância que, como sempre, causava tumulto. Mesmo descalço e de pijama, corri por entre aqueles que transitavam sem por quê. Não me importei, afinal, eles nunca me vêem mesmo...
Após alguns minutos correndo desesperadamente, avistei-a de costas. Ela estava a conversar com a Ganância. À sua esquerda, a Humildade e seus filhos pedindo um pouco de atenção. Provavelmente queriam dinheiro para conseguir comida, mas sequer viram-na. Talvez por demais ocupadas.
Foi quando se aproximou a Crendice.
Ao chegar, tropeçou na Humildade. Enxotou-a, então, com chutes e golpes de toda natureza. Para isso, utilizou-se de um livro grosso, de capa dura. Na capa havia algo escrito com letras douradas. Pude ler “Sagrada”.
Desculpou-se depois.
Cabisbaixa, Humildade saiu.
Eu estava bem próximo. Neste momento fui abordado pela Falsidade. Tomou-me pelo braço e disse-me precisar de um favor.
- Não!- respondi.
- Mas pensei que fôssemos amigos? – argumentou.
- Preciso falar com a Felicidade.
- Não queres nem ouvir o que tenho a dizer? – instigou-me.
- Espere aqui, já volto – respondi.
Quando virei-me, Felicidade não estava mais ali. Então me voltei para a Falsidade. Já não estava mais do meu lado. Conversava com a Burrice:
- Preciso muito que me faça um favor...
Prossegui.
A todo instante um ou outro baderneiro seguidor da Ignorância esbarrava
Alcancei a Felicidade, afinal. Estava, agora, a conversar com a Arrogância.
- Não ouviste-me chamar-te? – perguntei.
- Sim, ouvi.
- E não paraste por quê?
- És tu quem deve alcançar-me – respondeu-me. Além do mais, ainda não ouviste o que tem a dizer-te a Falsidade. Escute-a e depois, somente depois, procures-me...
Eis que neste exato momento surgiu-me, por entre os ignorantes, uma velha amiga. Disse-me:
- Queres tomar um café comigo?
- Claro, Racionalidade. É sempre um prazer...
Virei-me e saí.
(Nilson Nogueira)
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Do encontro das 'Luzes'
Entender, primeiramente, o que fazemos por necessidade e o que fazemos pura e simplesmente por influência da massa.
A primeira problematização comumente levantada por aqueles que começam a questionar-se logicamente é a origem da existência. O impasse secular entre religião e ciência; teísmo e ateísmo; homem e deus.
Em geral, após uma acertada análise filosófica sobre este tema, aceita-se o ponto de vista de Georgy Gamow, tomando a teria do Big-bang como a explicação mais lógica a cerca do surgimento do universo e, logo, tudo o que nele há. Aceitar somente não é válido. Compreender é preciso, pois, apenas afirmar aceitar tal teria, sem compreendê-la primeiramente, o fará pensar como um teísta, diferindo simplesmente no foco da crença.
Comumente, é no auge da adolescência (15 à 17 anos) que ascende no interior do sujeito pensante esta inquietação a cerca deste tema. Quando não, dificilmente o sujeito o despertará na vida adulta.
Concluimos, por observação, que negar a existência de um criador
Em outras palavras: se toda a sociedade ocidental guia-se por determinantes cristãs, e a cristandade não passa de um modo de maipulação de massa, extorsão e politicagem, logo a sociedade toda o pode ser.
O ceticismo precede toda reflexão filosófica existencialista. Não aceite apenas, QUESTIONE!
domingo, 20 de julho de 2008
Da Filosofia
Olhe à volta e tente conceber a complexidade do sistema que o cerca. Por mais que pense ter conhecimento sobre muitos assuntos, nunca terá o conhecimento sobre tudo o que há. Sim, pois, como seres humanos limitados que somos, não poderíamos nunca entender toda a complexidade do Sistema.
Isto não significa, entretanto, que esses assuntos, por nós inexplorados, não possam ser foco de uma análise filosófica. Nesta linha de pensamento, originaram-se as ciências: metodologias e técnicas fundamentadas nas premissas da análise filosófica, com a finalidade de explicar racionalmente os fenômenos e processos humanos, naturais, biológicos, etc. Filosofia, então, não é ciência, mas sim, a base dela; a antecede.